A Verdade Distorcida
A recepção de uma informação distorcida gera um peso sobre nossa mente, fazendo nos sentirmos desconfortáveis e dificultando nossos processos psíquicos.
MENTETRILHAS MENTAISINFLUÊNCIAS EXTERNAS


Defronte à Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, pela primeira vez o homem se encontra face a face com a Palavra Distorcida, a mentira, introduzida pela serpente no jardim.
Segundo trechos e relatos em livros hebraicos posteriores, a serpente era um poderoso ser espiritual em estado de rebelião contra Deus. Sua perfeição e alta capacidade o levaram a se comparar ao próprio Criador, tentando tomar o seu lugar. No final, incapaz de se comparar e se opor diretamente ao poder da Divindade, ele se voltou contra o homem, disposta a tudo para destruir e distorcer a criação.
A mentira é a tentativa de distorcer a realidade: ela tenta transformar aquilo que 'É' naquilo que 'NÃO É'.
Por não corresponder aos fatos, a mentira é uma palavra oca, vazia e sem consistência, porém tendo a aparência de realidade no seu exterior. Uma vez introduzida, ela deforma nossa visão do mundo e cria uma dissonância mental.
Apesar de toda a inutilidade da sua existência, ainda assim a mentira é uma palavra. E a natureza das palavras é o poder de mudar e influenciar realidades.
A recepção de uma informação distorcida gera um peso sobre nossa mente, fazendo nos sentirmos desconfortáveis e dificultando nossos processos psíquicos. Quando uma informação recebida é incompatível com a realidade, os seres humanos tentarão de todas as maneiras reconciliá-las, até que elas se tornem consistentes entre si. Este é um processo desconfortável e cansativo.
Confrontados com a mentira, somente temos duas opções:
Aceitá-la, racionalizando e justificando nossa decisão; ou
Rejeitá-la
Nossa consistência psicológica interna é essencial para podermos funcionar e atuar no mundo real. Ninguém consegue agir quando sua mente está em conflito. Este conflito gera stress e paralisa nossas decisões. Não conseguimos caminhar ou então apenas mancamos enquanto o conflito não é resolvido.
Se tentarmos ignorá-lo ou fingir que ele não existe, gastaremos uma quantidade enorme de energia psíquica somente para isolá-lo em um canto da nossa mente e negar sua realidade. Seremos como um homem tentando atravessar um rio a nado mas tendo que carregar sacos de areia amarrados no seu pescoço. Pode até ser que ele consiga nadar por um tempo, mas inevitavelmente suas forças acabarão e ele afundará, se não se livrar deste fardo.
Como um fardo pesado, a mentira é extremamente destrutiva. Ela é uma deformação que destrói tanto quem a emite quanto quem a recebe. Ela volta ao seu emissor como um bumerangue: o ganho inicial recebido pela mentira contada se transforma no peso emocional de tentar sustentá-la indefinidamente e em alguns casos, em desmascaramento e vergonha.
O pior da mentira é que quando a aceitamos, passamos a fazer um enorme esforço para justificá-la e validar a sua realidade. Passamos a lutar para provar que a mentira, e não a realidade, é verdadeira.

